segunda-feira, 21 de julho de 2008

A banda larga vem por WiMAX

Como as empresas brasileiras estão começando a usar a versão prévia da Internet sem fio de alta velocidade.

Pelo telefone, o empresário paulista Eladio Paniagua Junior recebeu mais uma daquelas ofertas para mudar de banda larga. A proposta era tentadora. O pacote com banda larga e telefone fixo oferecido pela Embratel custava menos da metade do plano que sua empresa, a locadora de veículos Point, já usava. De 400 reais mensais, ele passaria a desembolsar 179 reais por um link de 1 Mbps e mais quatro linhas fixas. Paniagua desconfiou, mas decidiu experimentar. “Paguei pelos dois serviços durante seis meses com receio de ficar sem banda larga”, diz. O serviço funcionou bem e ele acabou dando adeus à banda larga anterior.

A Point é uma das raras empresas brasileiras que já usam o WiMAX, uma das tecnologias mais promissoras para acesso rápido e sem fio à internet, mas que ainda não foi regulamentada no Brasil. No futuro, notebooks e outros dispositivos móveis virão prontos para esse tipo de conexão, como acontece hoje com o Wi-Fi. E com a vantagem de que dará para acessar o sinal em áreas de grande alcance, mesmo em movimento — por exemplo, dentro de um carro ou de um trem.

Por enquanto, o WiMAX está sendo empregado em instalações fixas, sem a prometida mobilidade. No caso da Point, o cabo coaxial que era usado para acesso à internet foi trocado por uma conexão via sinal de rádio, vindo de uma antena a menos de 1 quilômetro dali. Um modem próximo a uma janela recebe o sinal e o retransmite à loja, que fica na região central de São Paulo. São dez computadores conectados, além do notebook de Paniagua, que fica ligado por Wi-Fi. Dona de uma frota de 200 carros, a Point tem duas lojas em São Paulo e filiais em Curitiba e Salvador.

VELOCIDADE LIMITADA

Paniagua diz que um problema do WiMAX ainda é a limitação na velocidade da conexão. Na Embratel, os planos são de, no máximo, 2 Mbps — velocidade tímida se comparada aos 10 Mbps oferecidos por operadoras ADSL, 12 Mbps no cabo e aos 30 Mbps da rede de fibra óptica da Telefônica, que já funciona em São Paulo. Nominalmente, as velocidades do WiMAX podem chegar a 75 Mbps, e cada antena pode cobrir até 9 quilômetros. Mas a Embratel não pretende, por enquanto, oferecer velocidades maiores. “Nosso foco é atingir pequenas e médias empresas que estão fora da cobertura de cabo”, diz Maurício Vergani, diretor-executivo da Embratel Empresas. Segundo ele, cada antena comporta até 400 usuários num raio de 1 quilômetro.

A Embratel tem licença para operar na faixa de freqüências de rádio de 3,5 GHz, que poderia ser usada para acesso móvel. Mesmo assim, a empresa não tem planos para oferecer o WiMAX móvel ou o nomádico, ou seja, com mobilidade restrita. Como outras operadoras, a Embratel aguarda a regulamentação desses serviços pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A agência ainda precisa fazer o leilão das freqüências de 3,5 GHz e 10 GHz, que deverão ser ocupadas pelo WiMAX. Esse leilão está prometido para ocorrer desde 2006, mas ações na Justiça vêm causando sucessivos atrasos.

WiMAX NO NOTEBOOK

Alguns dos interessados nesse mercado, no entanto, adotam um discurso que vai na contramão da indefinição do WiMAX no Brasil. É o caso da Intel e da Motorola. Uma nova geração de chips da Intel, conhecida como Montevina, vai integrar o acesso à internet via WiMAX aos notebooks e a outros dispositivos móveis. “A previsão é de trazer os primeiros produtos dessa série no início do ano que vem”, afirma Elaine Nucci, diretora de conectividade da Intel. Da mesma forma, a Motorola corre para homologar, no Brasil, seus equipamentos para WiMAX.

Operadoras como a Telefônica oferecem a versão prévia do WiMAX a seus clientes corporativos em locais onde o cabo não chega. A Brasil Telecom, que começou com projetos pontuais para empresas, resolveu aguardar as definições da Anatel para voltar a falar sobre o tema. Já a Neovia, que provê acesso à internet no estado de São Paulo, vem empregando essa tecnologia em algumas conexões residenciais.

NAS AGÊNCIAS DO BRADESCO

Há também companhias usando WiMAX internamente, para interconectar suas unidades. O Bradesco, por exemplo, fez um projeto piloto com três agências, que foram ligadas à sede do banco, em Osasco, na Grande São Paulo. O resultado foi positivo, e agora 14 agências vão usar essa tecnologia para se comunicar com os computadores centrais da instituição financeira. Já a Casas Bahia usa a rede WiMAX da Diveo para a comunicação entre os escritórios e a fábrica de móveis da empresa, em São Caetano do Sul.

O setor público conta com projetos adiantados, como o da prefeitura de Belo Horizonte, que interligou parte de suas secretarias usando essa tecnologia. Na vertente da inclusão digital aparece o projeto de Parintins, município localizado à beira do rio Amazonas. Lá, o WiMAX leva a banda larga à prefeitura, às escolas e aos centros de saúde. Também permite oferecer acesso público gratuito à internet por meio de uma rede Wi-Fi instalada numa praça. “Hoje são quatro antenas espalhadas pela cidade, mas colocaremos mais 25 até o fim do ano para chegar a lugares que ainda não são conectados, inclusive nas áreas rurais”, diz Rafael Rodrigues Prado, técnico de informática da Prefeitura de Parintins.

WiMAX NOS AUTOMÓVEIS

A montadora Chrysler anunciou que iniciará, em breve, a produção de carros com WiMAX integrado nos Estados Unidos. Lá, a estréia comercial do WiMAX móvel está prevista para este ano. Os carros terão computador de bordo com funções de GPS e com a conexão sem fio. O aparelho vai receber imagens, informações meteorológicas e de trânsito, avisos de compromissos, e-mail e opções de compras online.

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