sábado, 28 de fevereiro de 2009

Problemas de segurança em celular

Quando o assunto é segurança da informação, normalmente se pensa primeiro em computador. Porém, o assunto também tem se tornado uma preocupação para fabricantes de dispositivos móveis.

Uma pesquisa feita pela McAfee apontou que, além de enfrentarem um número maior de problemas, essas companhias estão gastando mais tempo e dinheiro com a recuperação de incidentes.

Cerca de metade das 30 empresas entrevistadas reportou infecções por malware móvel, ataques por comando de voz e spam, problemas com aplicativos de outros fornecedores ou ocorrências que causaram problemas de capacidade de rede.

Além disso, 48% das fabricantes concordaram que o custo da correção dos dispositivos afetados afetou consideravelmente seus negócios. Três quartos (75%) avaliam que as operadoras e os fabricantes deveriam arcar com o custo da segurança, enquanto apenas 12% acreditam que os usuários devem tomar parte nas medidas de segurança.

“As tentativas de tornar os sistemas móveis mais abertos para aplicações de terceiros já demonstraram sinais de sucesso, embora os ataques às redes e aos dispositivos móveis continuem se aprimorando em termos de complexidade e sofisticação”, explicou Victor Kouznetsov, vice-presidente sênior da McAfee Mobile Security. “Isso aumenta as preocupações quanto à segurança dos atuais e futuros serviços”, completou.

Uma vez descoberto o problema, 48% dos fabricantes consideram que aplicar patches e correções nos dispositivos é uma atividade cara. Além disso, há o impacto negativo do incidente para a marca ou imagem da empresa, citado por 36% das empresas participantes. Outros 32% disseram que os problemas de segurança causaram perdas de credibilidade ou queda na satisfação dos usuários.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Office 14 só em 2010

A próxima versão do pacote de aplicativos da Microsoft, o Office 14, não deve ser liberada este ano. Essa teria sido a mensagem de Steve Ballmer a analistas de Wall Street, na última terça-feira (24/04), sugerindo que uma nova versão do Office poderia ser lançada apenas em 2010.

Tal atraso não significa uma verdadeira surpresa, já que a Microsoft ainda precisa liberar uma versão beta da suíte, ainda sem data marcada. O que ela fez até agora foi apresentar uma versão alpha do Office 14 para servidores a um seleto grupo de clientes.

Haveria algum problema com esse atraso? Aparentemente não. Enquanto usuários do Vista clamam pelo lançamento do Windowa 7, projetado para corrigir muitos dos incômodos do sistema operacional, o mesmo não se pode dizer do Office.

Um estudo recente publicado pela Forrester Research mostra que os usuários do Word e demais aplicativos do Office acabam se acostumando com ele, numa espécie de casamento antigo: se você está acostumado com o software e todos os seus arquivos estão no formato do Word, do Excel ou do PowerPoint atual, não há motivos para se querer algo novo.

Ainda segundo o estudo, tal comportamento pode mudar dadas as facilidades que ferramentas de produtividade baseadas na web, como o Google Docs, oferecem como solução mais fácil e barata para pequenas empresas que querem compartilhar documentos e trabalhar de forma colaborativa. A Microsoft está atenta nesta tendência e planeja entregar versões web dos componentes da suíte no Office 14.

Isso quer dizer que o Office 14 deverá ser uma suíte mais leve, menor e mais amigável. Do ponto de vista de competição, estas mudanças fazem todo o sentido. O que não está claro, no entanto, é se tal estratégia justificaria um update.

O que se espera é que um novo Office ofereça uma mudança substancial e não apenas alguns poucos serviços adicionais. Muitos usuários sequer se importaram em migrar do Office 2003 para a versão 2007 da suíte, mesmo sabendo que a nova versão do Office difere em inúmeros aspectos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Opera Mini dobra usuários no Brasil

A Opera, fabricante do browser para smartphones Opera Mini, divulgou relatório apontando que o uso de seu navegador no Brasil cresceu 117% em janeiro de 2009 quando a comparação é feita com o mesmo mês do ano anterior.

Na prática, isto quer dizer que de um ano para outro o uso do browser por celulares que navegam em redes móveis brasileiras mais do que dobrou.

O relatório divulgado pela Opera não demonstra qual percentual de market share o Opera Mini detém no Brasil, apenas informa que em todo o mundo o navegador atraiu 20 milhões de usuários únicos em janeiro deste ano. Na comparação com o mês imediatamente anterior, dezembro/08, isto representa uma expansão de 12,1%.

O Opera Mini, que é oferecido gratuitamente para download, se beneficou da explosão da internet móvel no Brasil e no mundo ao longo de 2008.

O relatório da Opera permite ver, por exemplo, que o browser apresentou maiores taxas de crescimento em países emergentes, como Nigéria e Armênia, onde a venda de smartphones cresce em ritmo mais acelerado do que em mercados maduros, como Europa Ocidental e Estados Unidos.

O relatório também revela quais são os sites mais acessados pelo browser no Brasil. Em primeiro lugar aparece o Google, seguido por orkut, globo.com e portal Terra. Depois apacerem: live.com, youtube, gamejump.com, o portal UOL e gmail.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Bloqueio do Gmail

Serviço foi afetado durante mais de três horas na terça-feira.

Um post no blog oficial do Gmail afirma que o serviço de e-mail do Google ficou fora do ar nesta terça-feira por conta de uma manutenção de rotina no banco de dados da Europa.

- Os efeitos colaterais inesperados estão ligados a códigos novos que tentam manter as informações geograficamente próximas de seus donos. Isso aumentou muito o tráfego do data center na Europa e causou um efeito cascata dos problemas, de um banco de dados para os outros - escreveu Acacio Cruz, gerente do Gmail, no blog oficial da ferramenta.

Conforme o G1, Cruz informou que os problemas já foram encontrados e consertados.

O Gmail, um dos serviços de e-mail gratuito mais populares do mundo, ficou bloqueado por mais de três horas a partir de 6h30min (de Brasília) de terça.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Brasileiros terão internet banda larga por rede elétrica ainda este ano

Os brasileiros poderão acessar a internet banda larga por meio da rede de energia elétrica ainda este ano. A conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Emília Ribeiro garante que o seu relatório sobre a regulamentação da questão estará pronto no fim de março. Depois disso, as normas devem ser analisadas pelo Conselho Diretor da agência e, se forem aprovadas, as empresas já podem oferecer o serviço.
— É muito importante decidir essa questão, porque é mais uma forma de expandir a banda larga para todo o país de forma mais barata, para aumentar a competição também — afirmou a conselheira, em entrevista à Agência Brasil. Ela diz que está ouvindo todos os setores interessados, e que algumas experiências já estão sendo realizadas no país.
Com a transmissão de dados em alta velocidade pela rede elétrica, sistema conhecido como BPL, as tomadas residenciais passam a ser pontos de rede, se conectadas a um modem. A conselheira explica que os dados serão transmitidos por meio de fio elétrico ou por outro cabeamento no poste de energia. O sinal da internet banda larga chega até as residências pela caixa de energia elétrica e é transmitidos por dentro da rede.
Outra bandeira defendida por Emília Ribeiro dentro da Anatel é a utilização da banda larga no serviço público. Segundo ela, o país pode economizar muito com a informatização de serviços como saúde, educação e segurança.
— Não se discute a importância disso, é uma necessidade. Mas a forma de fazer ainda está sendo amadurecida. É uma política de governo, depende da vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro [das Comunicações] Hélio Costa. Tenho certeza de que eles têm essa vontade, quem não quer ver um governo informatizado? Mas temos muitos desafios, como a extensão territorial — afirma.
Segundo a conselheira, uma das alternativas para expandir o serviço seria por meio da universalização da banda larga nas escolas, com os sistemas de backhaul, que é a infra-estrutura de rede para conexão em banda larga.
— Não custa muito para o governo um estudo que faça o serviço chegar à segurança, à saúde, à cultura. Uma política de governo que tem uma iniciativa já feita e basta mais um fôlego para avançar. É uma questão inadiável, inaceitável, me sinto em uma agonia terrível por não conseguir que esse serviço seja disponibilizado para a nossa população — defende.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Carregador universal

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Quem nunca ouviu no escritório, ou recebeu por e-mail, a pergunta: alguém tem carregador de celular da marca tal? Pois a caça pela recarga compatível está próxima do fim. A indústria de telefonia celular tem planos de lançar um carregador universal e energeticamente mais eficiente, reduzindo o impacto ambiental. O anúncio foi feito no Congresso Mundial de Telefonia Móvel (MWC 2009), que se realiza até esta quinta-feira, em Barcelona.

Segundo o jornal britânico The Guardian, isso não só significa que os usuários de telefone não precisarão mais caçar um carregador, mas também que o gasto de energia com a recarga será 50% menor quando em standby.

O pacto pelo carregador universal foi firmado entre cinco operadoras do Reino Unido, incluindo grande parte dos fabricantes de celulares no mundo. Trata-se de um carregador via micro-USB que deve aparecer no final de 2009. A previsão dos fabricantes é que até 2012 a maioria dos celulares tenham a tecnologia.

Conforme o Guardian, o carregador universal e mais “verde” é uma resposta aos ataques que a indústria tem sofrido da parte de ambientalistas. A reação às críticas não se resume ao carregador. Aparelhos de materiais recicláveis e até recarregados por energia solar, apareceram este ano em eventos.

Uma das novidades é o Blue Earth, da Samsung, com um painel solar na parte de trás que pode carregar o telefone. O aparelho chegará no Reino Unido na segunda metade do ano. O aparelho também inclui um sistema que permite ao usuário saber quanto CO2 o usuário “economizou” por caminhar em vez de utilizar transporte motorizado.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Aplicativos baixáveis para painel de carro chegam em 2010

Por que deixar os nossos carros de fora de toda a diversão em aplicativos à qual o seu smartphone tem direito? A Hughes Telematics pretende trazer aplicativos baixáveis para painéis de carros e as possibilidades são bem insanas.
A Hughes planeja começar a apresentar novos consoles de painéis em meados de 2010 e dá exemplos como monitor de emissões, câmera de segurança conectada à Internet e até mesmo integração com Twitter do que pode vir a aparecer em breve para o seu carro. Pense sé: em uma viagem pelo interior, o seu carro tira fotos panorâmicas dos arredores a cada meia hora, ou daquele pivete que meteu a chave na lateral do seu carro no estacionamento do supermercado. Você pode trancar e destrancar o seu carro com o seu iPhone, ou controlar o som com ele. Que tal atualizar o seu status do Facebook com o local exato de onde você está? Assim, os seus amigos terão ainda mais dados específicos sobre a sua vida para os quais eles não darão a mínima.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Modelo de notebook da gScreen tem dois displays de 15,4 polegadas cada

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A fabricante de computadores gScreen começa a receber reservas de um modelo de notebook com duas telas em 25 de fevereiro deste ano. O Dual-Screen Laptop vem com dois displays de 15,4 polegadas cada um, formando um monitor de 28 polegadas entre as diagonais das telas.

Segundo a gScreen, o laptop G400 terá placa de vídeo NVIDIA, processador Intel 2,8 GHz Core 2 Duo. As opções de software são Windows XP ou Vista. A memória RAM é de 4 a 8 GB.

Quando abertas, as duas telas se encontram no meio do chassis do notebook. A tela secundária liga automaticamente quando aberta. De acordo com as tarefas, o usuário pode usar uma ou ambas as telas abertas.

A ideia do laptop de tela dupla seria oferecer uma solução melhor para produção de vídeo, web design e edição de fotos, segundo o fundador da empresa, Gordon Stewart.

Está previsto também um modelo com 17 polegadas e outro com 13. As reservas podem ser feitas a partir do dia 25 de fevereiro na Amazon.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ativação de colisor é adiada para setembro

O colisor gigante de partículas construído para reproduzir as condições do "Big Bang" teve sua ativação adiada para setembro para dar tempo para reparos, informou a Organização Europeia para Pesquisa Nuclear (Cern).

O Cern afirmou que as primeiras colisões de partículas acontecerão em outubro, após reparos e instalação de novos recursos de segurança no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês). A máquina é a maior e a mais complexa já construída pelo homem.

Depois de outra parada técnica curta no final de 2009, o colisor vai funcionar até outono do próximo ano, produzindo dados suficientes sobre os menores blocos da matéria para um anúncio de resultados em 2010, informou o Cern.

"O cronograma que temos agora é sem dúvida o melhor para o LHC e para os físicos que esperam os dados", informou o diretor geral do Cern, Rolf Heuer, em comunicado.

"Temos que assegurar que todos os trabalhos necessários sejam feitos no LHC antes de iniciarmos, ainda assim ele permitirá que a pesquisa comece este ano", afirmou.

O novo cronograma representa um atraso de seis semanas sobre o prazo anterior, que previa que os gigantes túneis do LHC fossem resfriados à temperatura de operação de pouco acima do zero absoluto no início de julho.

O Cern havia informado que previa reativar o colisor nesta primavera (no hemisfério norte) depois que a máquina foi parada em setembro por causa de uma pane elétrica e vazamento de hélio ocorridas apenas nove dias depois do LHC ter sido inaugurado.

O colisor é projetado para recriar as condições que existiam pouco depois da ocorrência do Big Bang, que é apontado pela maioria dos cosmologistas como responsável pela criação do Universo há 13,7 bilhões de anos.

A máquina dispara raios de partículas subatômicas pelo túnel de 27 quilômetros construído sob a fronteira da Suíça com a França. O objetivo é fazer com que as partículas colidam entre si a velocidades próximas da luz.

Essas colisões vão gerar explosões de energia que cientistas vão monitorar em busca de partículas novas ou previstas que podem ajudar a explicar a natureza da massa e das origens do Universo.

O Cern informou que o acidente do ano passado não representou qualquer perigo. Quando a organização começou a trabalhar na máquina teve de rejeitar insinuações de que o equipamento poderia criar milhões de buracos negros que poderiam sugar a Terra.

A organização, cujo cientista Tim Berners-Lee é apontado como criador da World Wide Web em 1990, informou em dezembro que esperava que os reparos custassem até 35 milhões de francos suíços (30 milhões de dólares).

O LHC já custou 10 bilhões de francos suíços (8,5 bilhões de dólares) para ser construído. Ele é apoiado pelos 20 países membros do Cern e outras nações que incluem Estados Unidos e Rússia.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Kindle 2

Kindle2

O Kindle 2, novo leitor de livros eletrônicos da Amazon.com, foi apresentado nesta segunda nos Estados Unidos. O e-book é 25% mais fino que um iPhone e, segundo Jeff Bezos, fundador da Amazon.com, entregará ao usuário qualquer livro em menos de 60 segundos. Segundo o fabricante, a nova espessura é mais fina que a maioria das revistas que estão disponíveis para venda no Kindle.

As melhorias no design do Kindle 2 incluem speakers stereo, espessura mais fina e um acabamento de metal na parte de trás.  O Kindle 2 tem os cantos arredondados, tela em preto e branco aparentemente do mesmo tamanho a do Kindle original - 6 polegadas - e uma entrada para fone de ouvido de 3,5 milímetros.
Pequenos botões de navegação tanto do lado esquerdo quanto direito e, agora, um joystick substitui o volante scroll da primeira versão do aparelho.

O novo Kindle da Amazon usará a mesma tecnologia wireless EV-DO para downloads sem fio. O armazenamento cresceu: o Kindle 2 vem com memória interna de 2 GB.
Ainda não se sabe se o produto terá entrada para cartão microSD, para expandir sua capacidade de armazenamento.

O Kindle disponibiliza 230 mil livros dos Estados Unidos e revistas, jornais e blogs internacionais. Os novos Kindles custam US$ 359 e já podem ser pedidos na Amazon.com. As entregas se iniciam em 24 de fevereiro.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Programa para troca de geladeiras

O ministro Edison Lobão (Minas e Energia) disse nesta sexta-feira que o programa do governo federal para a troca de geladeiras antigas deverá ser iniciado no segundo semestre. A meta é substituir 10 milhões de geladeiras.

Serão trocados modelos antigos, que gastam mais energia e emitem gás CFC (clorofluorcarbono), por outros mais modernos. Para isso, o governo criará linhas de financiamento no Banco do Brasil e na Caixa Econômica Federal e poderá usar recursos também do BNDES (Banco de Desenvolvimento Econômico e Social).

"A redução [na conta de luz] poderá servir para o pagamento das prestações. O fato é que o consumidor pagará um preço mais barato e com juros módicos", disse o ministro.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Menino de 9 anos cria aplicativo que é sucesso no iPhone

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Um menino de apenas nove anos, nascido na Malásia, é o autor de um aplicativo para iPhone que já foi baixado mais de quatro mil vezes nas últimas duas semanas. Lim Ding Wen, que está no quarto ano do primário e mora em Cingapura, desenvolveu o programa de pintura Doodle Kids, que está causando furor entre os usuários do celular da Apple. O aplicativo permite que se façam rabiscos com os dedos na tela do iPhone, que depois podem ser borrados com uma sacudida no aparelho.

– Fiz o programa para minhas irmãs pequenas, que gostam muito de pintar – afirma Lim.

O menino prodígio conhece sete linguagens de programação: ActionScript, JavaScript, Applesoft BASIC, GSoft BASIC, Complete Pascal, Orca/Pascal e um pouco de Objective-C. Ele começou a utilizar o computador quando tinha apenas dois anos e começou a aprender a programar com sete.

Seu pai, um engenheiro eletrônico, tem a mesma paixão do filho e confessa que os dois conferem todos os dias as estatísticas do iTunes, loja virtual onde são comprados os aplicativos para o iPhone, para saber quantas pessoas baixaram o programa.

Lim agora está trabalhando em um novo aplicativo para o smartphone, dessa vez um jogo de ficção científica batizado de Invader Wars.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Telescópio no Chile auxilia a astronomia no Brasil

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Um prédio de mais de 700 m2 sustenta uma cúpula de 20 metros de altura, perdida na imensidão dos Andes chilenos. Quem entra no observatório Soar, em Cerro Pachón, a 2.701 metros de altitude, vê o maquinário silencioso. A impressão é que se está diante de um brinquedo grandioso, que ficou ali guardado por alguém.

Mas a aparente imobilidade é rompida com as explicações técnicas do astrônomo residente Luciano Fraga, 32, que há um ano e sete meses se mudou para a pacata La Serena, no Chile. O Soar, claro, é mais do que um videogame sofisticado. Inaugurado em 2004, começou agora a funcionar "em velocidade cruzeiro", dedicando mais tempo à observação científica e menos a trabalhos de ajuste.

A experiência ganha no projeto permitiu ao Brasil entrar no setor comercial de serviços para astronomia. Um contrato acaba de ser fechado com a Universidade de Liverpool, que comprou fibras ópticas especiais. Elas são usadas num equipamento que pode ser acoplado a outros telescópios. Uma rede com essas fibras permite que uma galáxia, por exemplo, seja analisada 1.300 vezes ao mesmo tempo.

"O contrato é de 60 mil, praticamente o preço de custo", diz Bruno Castilho, pesquisador do LNA (Laboratório Nacional de Astrofísica), um dos responsáveis pelo desenvolvimento da rede de fibras ópticas. "Essa, vendida para os ingleses, vai equipar um telescópio nas Ilhas Canárias."

O LNA é a unidade de pesquisa que gerencia a participação do país no Soar --o Brasil entrou como investidor majoritário na construção do observatório, com recursos federais e do Estado de São Paulo. Os outros três parceiros são americanos: o Noao (Observatório Nacional de Astronomia Óptica), a Universidade da Carolina do Norte e a Universidade Estadual de Michigan.

Cérebro eletrônico

O trabalho de Castilho, em Minas Gerais, já é fruto direto dos caminhos abertos pelo telescópio no Chile. As fibras ópticas foram desenvolvidas primeiro para um equipamento que será instalado próprio Soar, no segundo semestre.

Dentro da cúpula é fácil perceber que o conjunto de espelhos é a alma do telescópio. Os instrumentos de análise, acoplados à parte principal da máquina, são os "cérebros artificiais" dos astrônomos. Os principais são os espectrógrafos, instrumentos que separam a luz em frequências --cores-- e permitem que uma análise detalhada seja feita. O espectro de frequências da luminosidade de uma estrela, por exemplo, revela de quais elementos químicos ela é formada.

O Soar, com a chegada do Sifs (um novo espectrógrafo alimentado por 1.300 fibras ópticas), terá seis desses aparelhos. A leitura da informação é feita a partir da luz desviada pelos espelhos. Astrônomos escolhem qual espectrógrafo a usar em cada momento dependendo do tipo de pesquisa. Basicamente, a diferença entre eles é a frequência das ondas captadas.

"Made in Brazil"

"Já existe uma indústria sendo criada em razão do Soar", diz o astrônomo João Steiner, da USP (Universidade de São Paulo), um dos principais articuladores da entrada do Brasil no telescópio. "Isso tudo começou em 1994", diz. Pelos cálculos de Castilho, pelo menos 50 cientistas estão envolvidos diretamente na construção dos equipamentos.

Em 2010, mais um instrumento entrará em funcionamento. O Steles, feito por vários grupos, permitirá que um astro seja observado, ao mesmo tempo, na faixa do ultravioleta e do infravermelho. "Depois, os dados podem ser comparados", diz Castilho.

A entrada em operação de todos os seis instrumentos significa que o Soar está "amadurecido" para os astrônomos. Os equipamentos que chegarem a partir de agora serão a segunda geração. "A partir deste mês, teremos 80% do tempo do telescópio voltado para a geração de ciência" diz o diretor do Soar, Stephen Heatcote, inglês radicado no Chile há duas décadas.

O Soar desfruta em média de 300 noites boas de observação astronômica por ano. (Minas Gerais, em comparação, tem 180.) Nos dias restantes é feita a calibragem dos espectrógrafos. Em 2010, a expectativa é que 95% do tempo do telescópio seja usado com fins científicos, ao custo de US$ 12 mil por noite.

Segundo Steiner, que articula a participação brasileira em outros supertelescópios, mesmo antes de o Soar deixar essa indústria técnica brasileira robusta, a produção científica da astronomia nacional já cresceu. "O número de artigos publicados já é três vezes maior", diz.